(PER)Curso Formação Básica II
- Diogo Bonioli |
- Adriana Tostes |

Metapsicologia: Fundamentos da Psicanálise Freudiana
Este curso apresenta os principais conceitos da psicanálise freudiana, abordando a estrutura e o funcionamento do psiquismo, a teoria das pulsões, o inconsciente e seus mecanismos, além do modelo estrutural da mente. A partir da leitura e análise de textos fundamentais de Freud, os participantes desenvolverão uma compreensão crítica e aprofundada das bases da psicanálise.
Course Information
Objetivos de Estudo
Ao final do curso, os participantes serão capazes de:
-
Compreender os fundamentos do funcionamento psíquico a partir da interpretação dos sonhos, do princípio do prazer e da dualidade entre os princípios de realidade e prazer.
-
Analisar o conceito de inconsciente e seus mecanismos como recalque, resistência e pulsões, além de explorar a formação do narcisismo e seu impacto na constituição do sujeito.
-
Examinar a evolução da teoria psicanalítica desde o modelo topográfico até o modelo estrutural do psiquismo, destacando as transformações teóricas na obra freudiana.
-
Refletir sobre as implicações clínicas da psicanálise no entendimento da psicopatologia, incluindo o luto, a melancolia e os conflitos psíquicos na dinâmica do ego, do id e do superego.
Esses objetivos garantem um estudo aprofundado e estruturado da psicanálise freudiana
Conteúdo Programático
UNIDADE 1: O Funcionamento Psíquico e a Interpretação dos Sonhos
Nesta unidade, exploramos os fundamentos do funcionamento psíquico a partir da teoria dos sonhos e dos princípios que regem a vida mental. Freud, em A interpretação dos sonhos (1900), apresenta o sonho como uma via privilegiada para acessar o inconsciente, funcionando como realização de desejos reprimidos. No Capítulo VII, ele introduz o conceito de trabalho onírico, que transforma os conteúdos latentes em manifestos por meio de mecanismos como condensação e deslocamento.
No Suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos (1917), Freud revisita sua teoria à luz de novos desenvolvimentos metapsicológicos, reforçando a importância do inconsciente e das pulsões no processo onírico.
Já em Formulações sobre os dois princípios do funcionamento psíquico (1911), Freud diferencia o princípio do prazer, que guia o psiquismo infantil e inconsciente, do princípio de realidade, que emerge ao longo do desenvolvimento e permite adaptações à vida em sociedade.
Essa unidade nos leva a compreender como os sonhos e os processos inconscientes revelam o funcionamento psíquico e sua dinâmica entre desejo, repressão e adaptação à realidade.
Tópicos:
- A interpretação dos sonhos (Capítulo VII) – 1900
- Suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos – 1917
- Formulações sobre os dois princípios do funcionamento psíquico – 1911
UNIDADE 2: O Inconsciente, o Recalque e as Pulsões
Nesta unidade, aprofundamos a compreensão dos processos inconscientes, dos mecanismos de recalque e da teoria das pulsões, aspectos centrais da psicanálise freudiana.
No texto Uma nota sobre o inconsciente em psicanálise (1912), Freud aprofunda a distinção entre o consciente, o pré-consciente e o inconsciente, argumentando que grande parte da vida mental ocorre fora da consciência e influencia nossas ações e sintomas. Também acrescenta três atributos que a psicanálise confere ao inconsciente: Dinâmico, Sistemático e Simbólico.
Em O inconsciente (1915), Freud define o inconsciente como um sistema psíquico que contém representações reprimidas, inacessíveis à consciência sem um trabalho analítico. Ele argumenta que o inconsciente opera por meio de processos próprios, como a atemporalidade e a substituição simbólica, influenciando nossos pensamentos e comportamentos.
No ensaio O recalque (1915), Freud descreve o recalque como o mecanismo que mantém conteúdos dolorosos ou inaceitáveis fora da consciência. Esse processo ocorre em três momentos: a repressão primária, a repressão propriamente dita e o retorno do recalcado, manifestando-se em sintomas neuróticos e sonhos.
Em As pulsões e seus destinos (1915), Freud introduz a teoria das pulsões, diferenciando-as entre pulsões de autoconservação e pulsões sexuais. Ele explica como as pulsões podem sofrer transformações, como reversão ao contrário, transformação no oposto e sublimação, sendo fundamentais para a dinâmica psíquica.
Por fim, Sobre o narcisismo: uma introdução (1914) marca um avanço na teoria freudiana ao introduzir o conceito de narcisismo, onde o investimento libidinal pode ser direcionado ao próprio eu antes de se voltar para objetos externos. Esse conceito é essencial para entender o desenvolvimento da identidade, os transtornos do self e a formação do ideal do eu.
Esta unidade nos permite compreender como o psiquismo lida com seus conflitos internos por meio do inconsciente, do recalque e das transformações pulsionais, impactando profundamente a constituição do sujeito.
Tópicos:
- Uma nota sobre o inconsciente em psicanálise – 1912
- O inconsciente – 1915
- O recalque – 1915
- As pulsões e seus destinos – 1915
- Sobre o narcisismo: uma introdução – 1914
UNIDADE 3 - Além do Princípio do Prazer e o Modelo Estrutural
Nesta unidade, exploramos as transformações da teoria psicanalítica de Freud, marcadas pela introdução do conceito de um princípio regulador além do prazer e pela elaboração do modelo estrutural da mente.
Em Além do princípio do prazer (1920), Freud apresenta a ideia de que a vida psíquica não se orienta apenas pelo princípio do prazer, que busca a redução da tensão, mas também por um princípio de realidade, que leva à adaptação à realidade externa e ao controle das pulsões. Ele introduz o conceito de "instinto de morte" (Thanatos), sugerindo que, além das pulsões de vida (Eros), há uma força destrutiva no psiquismo, que se manifesta em comportamentos autodestrutivos e agressivos.
Já em O ego e o id (1923), Freud formaliza o modelo estrutural do psiquismo, delineando três instâncias psíquicas: o id, que representa as pulsões e os desejos primitivos; o ego, responsável pela mediação com a realidade e a adaptação às exigências do mundo externo; e o superego, que incorpora as normas morais e sociais internalizadas. Esse modelo vai além da estrutura topográfica (consciente, pré-consciente e inconsciente), trazendo uma nova compreensão sobre como os conflitos entre essas instâncias geram a dinâmica psíquica e os sintomas.
Essa unidade nos proporciona uma visão mais complexa e dinâmica do psiquismo, com ênfase nas forças que motivam a psique além do prazer imediato e na interação entre as diferentes instâncias estruturais do ego, do id e do superego.
Tópicos:
- Além do princípio do prazer – 1920
- O ego e o id – 1923
UNIDADE 4 - Psicanálise e Psicopatologia
Nesta unidade, investigamos a relação entre a psicanálise e a psicopatologia, analisando os mecanismos psíquicos envolvidos no luto, na melancolia e na estruturação do psiquismo.
Em Luto e melancolia (1917), Freud compara os processos normais do luto com os estados patológicos da melancolia. No luto, há um desligamento gradual da libido do objeto perdido, permitindo a retomada da vida psíquica. Já na melancolia, esse processo se torna patológico: o ego identifica-se com o objeto perdido e direciona contra si mesmo as críticas e sentimentos de culpa originalmente voltados ao objeto, resultando em um sofrimento intenso e autodestrutivo. Essa compreensão é fundamental para o estudo da depressão e dos transtornos do humor.
No Esboço de psicanálise (1938), sua última obra, Freud sintetiza os principais conceitos da psicanálise e sua aplicação na compreensão da mente humana. Ele revisita as descobertas sobre o inconsciente, o recalque, as pulsões e a estrutura do psiquismo, além de discutir o papel da psicanálise no tratamento dos conflitos psíquicos. Essa obra serve como uma visão geral e reflexiva sobre a teoria psicanalítica, destacando seus avanços e desafios.
Esta unidade nos permite compreender como Freud aplicou sua teoria para explicar os estados patológicos da mente, contribuindo para a psicanálise clínica e sua abordagem dos sofrimentos psíquicos.
Tópicos:
- Luto e melancolia – 1917
- Esboço de psicanálise – 1938 (publicado postumamente em 1940)
Metodologia
Aulas expositivas, leituras dirigidas, debates e estudos de caso, com enfoque crítico e reflexivo sobre os textos de Freud.
Público-alvo
Estudantes e profissionais das áreas de psicologia, psicanálise, filosofia e ciências humanas interessados na teoria psicanalítica.
Coaches

Diogo Bonioli

Adriana Tostes