(PER)Curso Formação Básica III
- Diogo Bonioli |
Este curso propõe uma imersão na estrutura do tratamento psicanalítico, abordando os pilares clínicos que sustentam a escuta do inconsciente e a direção do tratamento. A partir das obras de Christian Dunker e Jacques Lacan, os encontros exploram a diferença entre o modelo médico e a clínica psicanalítica, com ênfase na transferência, na posição do sujeito e na ética do desejo. Com base nos fundamentos estruturais da psicanálise, o percurso analisa as formações do sintoma e seus modos de manifestação nas estruturas clínica: neurose, psicose e perversão.
Ao longo das aulas, aprofundaremos o diagnóstico estrutural como orientação da escuta, estudaremos a lógica do desejo nas perversões, o enigma do gozo na histeria e o controle obsessivo como defesa frente à castração. O curso combina teoria, leitura de textos fundamentais, discussões em grupo e uma supervisão clínica sensível às singularidades da experiência analítica.
Indicado para estudantes e profissionais que desejam uma formação rigorosa, atual e ética em psicanálise, o curso se propõe a articular o saber teórico à prática clínica, ampliando o olhar sobre o sofrimento psíquico e a posição do analista diante dele.
Informações do curso
OBJETIVOS TEÓRICOS E CLÍNICOS
Objetivos Teóricos
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Compreender a estrutura do tratamento psicanalítico, com ênfase na emergência do sujeito do inconsciente, na mutação da transferência e na separação do objeto a, a partir da leitura de Dunker (2021).
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Diferenciar a clínica psicanalítica do modelo médico tradicional, destacando a escuta do sintoma, o diagnóstico estrutural e a função terapêutica da transferência.
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Estudar a constituição das estruturas clínicas – neurose, psicose e perversão – com base na lógica do desejo, da lei e do gozo.
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Analisar a função paterna como operador simbólico fundamental, articulando-a à constituição do sujeito e à direção do tratamento.
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Explorar as especificidades das estruturas histérica, obsessiva e perversa, com base nas obras de Freud, Lacan e Jean-Pierre Dor, aprofundando a compreensão de seus mecanismos, sintomas e formações discursivas.
Objetivos Clínicos
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Desenvolver a capacidade de escuta analítica orientada pela posição do sujeito em relação ao desejo e à lei, superando perspectivas nosográficas.
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Aprimorar o manejo da transferência e da posição do analista, reconhecendo o valor clínico do discurso e do ato analítico.
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Aplicar a lógica estrutural no diagnóstico clínico, considerando os traços singulares de cada estrutura psíquica em sua articulação com os sintomas apresentados.
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Refinar a leitura clínica do sintoma como formação do inconsciente, evitando abordagens educativas, diretivas ou normativas.
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Sustentar uma postura ética na clínica, baseada na singularidade do sujeito, na escuta do desejo e na responsabilidade implicada na direção da cura.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
UNIDADE 1: A Estrutura do Tratamento Psicanalítico e a Clínica na Psicanálise
A unidade introduz os pilares do tratamento psicanalítico com base em Dunker (2021), destacando a emergência do sujeito do inconsciente, a mutação da transferência e a separação do objeto a como momentos estruturantes da clínica. O ato e o discurso do psicanalista sustentam o percurso analítico e a produção de verdade. Na segunda parte, discute-se a clínica psicanalítica em contraponto ao modelo médico, enfatizando uma semiologia centrada na escuta do sintoma, uma diagnóstica orientada pela subjetividade e uma terapêutica que opera a partir da transferência e do desejo, caracterizando a subversão proposta pela psicanálise.
Tópicos:
- A estrutura do tratamento psicanalítico
- A emergência do sujeito do inconsciente
- Mutação da transferência
- Separação do objeto a
- Ato e discurso do psicanalista
- Clínica na Psicanálise
- Semiologia e etimologia
- Diagnóstica e terapêutica
- A subversão psicanalítica
Livro base:
Dunker, C. I. L. (2021). Estrutura e constituição da clínica psicanalítica: uma arqueologia das práticas de cura, psicoterapia e tratamento. 2ª Ed. São Paulo: Zagodoni.
UNIDADE 2: Diagnóstico e estrutura
Esta unidade explora a noção de diagnóstico em psicanálise como ferramenta clínica distinta da nosografia psiquiátrica. O diagnóstico não visa a classificação, mas a escuta da posição do sujeito frente ao desejo, à lei e ao gozo. São discutidos os sintomas como formações do inconsciente, articulados a traços estruturais que indicam a lógica singular de cada estrutura psíquica (neurose, psicose e perversão). A função paterna é apresentada como operador simbólico fundamental na constituição dessas estruturas, regulando a entrada do sujeito na linguagem e a articulação com o desejo do Outro. O diagnóstico estrutural, nesse contexto, orienta a direção do tratamento, sustentando a ética da clínica psicanalítica.
Tópicos:
- Noção de diagnóstico em psicanálise
- Sintomas, diagnósticos e traços estruturais
- A função paterna e as estruturas psíquicas
Livro base:
Dor, J. (2024). Estruturas e clínica psicanalítica (J. Bastos & A. Telles, Trads.; C. M. Da Poian, Rev. técnica; 2ª ed.). São Paulo: Zagodoni.
UNIDADE 3: A estrutura perversa
Exploração das noções de desejo e pulsão como elementos centrais da psicanálise. Estudo das obras fundamentais de Freud e Lacan, além da relação entre pulsão, sexualidade e representação psíquica.
Tópicos:
- A perspectiva freudiana
- O ponto de ancoramento das perversões
- Diagnóstico diferencial entre perversão, histeria e neurose obsessiva
- Na neurose obsessiva
- Na histeria
- O perverso e a lei do pai
- A mãe fálica
- Novo diagnóstico diferencial entre as estruturas neuróticas
- Na neurose obsessiva
- Na histeria
Livro base:
Dor, J. (2024). Estruturas e clínica psicanalítica (J. Bastos & A. Telles, Trads.; C. M. Da Poian, Rev. técnica; 2ª ed.). São Paulo: Zagodoni.
UNIDADE 4: A estrutura da histérica
Esta unidade aprofunda a compreensão da estrutura histérica, marcada pela prevalência da lógica fálica e pela relação particular com o desejo do Outro. A histeria se constitui em torno de um sujeito dividido que busca ser causa do desejo alheio, ao mesmo tempo em que se protege do encontro com a verdade do gozo. São apresentados os traços fundamentais da estrutura histérica, como a insatisfação crônica, a identificação instável e a teatralização do sofrimento. A análise da mulher histérica destaca sua relação ambivalente com o sexo, oscilando entre provocação e recusa, o que revela o enigma do desejo feminino na lógica fálica. Também se discute a histeria masculina, que, embora menos visibilizada, compartilha o mesmo mecanismo estrutural, apresentando-se em formas específicas, como a exibição da fragilidade e a demanda incessante de reconhecimento. A clínica da histeria, portanto, coloca em cena o enigma do desejo e do gozo, tanto em homens quanto em mulheres, exigindo do analista escuta atenta aos efeitos de discurso e de identificação.
Tópicos:
- Estrutura histérica e lógica fálica
- Os traços da estrutura histérica
- A mulher histérica e sua relação com o sexo
- A histeria masculina
- O homem histérico e sua relação com o sexo
Livro base:
Dor, J. (2024). Estruturas e clínica psicanalítica (J. Bastos & A. Telles, Trads.; C. M. Da Poian, Rev. técnica; 2ª ed.). São Paulo: Zagodoni.
UNIDADE 5: A estrutura obsessiva
Esta unidade analisa a estrutura obsessiva sob a ótica psicanalítica, destacando sua lógica própria e seus mecanismos de defesa. A problemática obsessiva gira em torno do controle, da dúvida e da luta contra a angústia de castração. Os traços da estrutura obsessiva incluem a rigidez, o pensamento compulsivo, o adiamento da ação e a necessidade de garantia simbólica, revelando uma forte ligação com a figura do pai e a lei. O sujeito obsessivo mantém uma relação ambígua com a autoridade: ao mesmo tempo em que a desafia, busca nela uma referência para sustentar seu lugar no desejo do Outro. A perda, no obsessivo, é recalcada ou evitada por meio da repetição e da ruminação mental. Em suas relações amorosas, o obsessivo tende à idealização do objeto, à distância afetiva e à manutenção de um amor impossível, como forma de preservar o gozo e evitar o risco da entrega. A escuta clínica requer sensibilidade para captar essa lógica de adiamento e controle, permitindo ao sujeito localizar seu desejo para além da repetição neurótica.
Tópicos:
- A problemática obsessiva
- Os traços da estrutura obsessiva
- Obsessivo, a perda e a lei do pai
- Obsessivo e seus objetos de amor
Livro base:
Dor, J. (2024). Estruturas e clínica psicanalítica (J. Bastos & A. Telles, Trads.; C. M. Da Poian, Rev. técnica; 2ª ed.). São Paulo: Zagodoni.
METODOLOGIA
O curso será desenvolvido por meio de aulas expositivas dialogadas, que apresentarão os principais conceitos da metapsicologia freudiana de forma didática e contextualizada. As leituras dirigidas de textos fundamentais de Freud serão acompanhadas de orientações específicas para a análise teórico-clínica. As discussões em grupo promoverão a troca de perspectivas e o aprofundamento coletivo dos conteúdos, favorecendo uma postura crítica e reflexiva. A análise detalhada dos textos permitirá a articulação entre teoria e prática, incentivando a construção de saberes que dialoguem com a escuta psicanalítica e os desafios contemporâneos da clínica.
DURAÇÃO E PÚBLICO-ALVO
Carga horária total: 40 horas.
Início: 28/07/2025 e Finalização: 15/12/2024
PÚBLICO-ALVO: Estudantes e profissionais das áreas de psicologia, psicanálise, filosofia e ciências humanas interessados na teoria psicanalítica.
Treinadores
Diogo Bonioli
